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Como montar serviço de Análise de Solos

 

 

 

By  | 22/10/2017

Saiba como montar serviço de Análise de Solos lucrativo gastando pouco e sem cometer erros. Ganhe muito dinheiro analisando a fertilidade dos solos. Aprenda tudo: investimento, localização, equipamentos, fornecedores, mercado, concorrência, riscos, legislação, mão de obra especializada, captação de cliente, financiamento, atendimento e muito mais…

Análise de Solos

O primeiro e imprescindível passo para o sucesso de um empreendimento rural, a análise de solo, ao contrário do que normalmente se crê, não é uma prática simples. Deveria ser, porque ao tomar esse cuidado e assumir este esforço, um produtor rural pode enxergar produtividade e lucros como metas palpáveis. Essa orientação parte da constatação de que alcançar alta produtividade numa lavoura é resultado da conjugação de condições favoráveis.

Clima e um programa de trabalho baseado na análise criteriosa de todos os fatores que afetam o desempenho de uma cultura (adubação correta, calagem, escolha da semente, preparação adequada do solo, tratos naturais, etc) são a mola-mestra desses empreendimentos..

Conclui-se portanto que o ponto de partida é a avaliação do estado geral de fertilidade do solo, que deve ser rigorosamente executada, seguindo instruções baseadas em considerações de ordem científica.

A análise de fertilidade do solo é desse modo, tarefa que exige análise e orientação de um agrônomo. Munidos dessas ferramentas,poderemos obter um diagnóstico das necessidades de adubação e calagem a fim de que se defina o quê, quando e quanto aplicar de calcário e fertilizante.

Aplicações

A classificação de solos tem aplicações práticas principalmente em levantamentos de solos, constituindo a fonte permanente de conhecimento para este ramo de atividade técnica. Além disso, também é útil para referenciar, precisamente, pontos de amostragem de solos, rochas, plantas, materiais genéticos, facilitando a extrapolação de resultados experimentais de manejo, conservação e fertilidade de solos.

A classificação do solo em pontos de amostragem, associada ao georreferenciamento (latitude, longitude e altitude), é uma ferramenta poderosa para o conhecimento de segmentos da paisagem ou do território como um todo, constituindo uma informação indispensável na estruturação de bases de dados e para os Sistemas de Informação Geográficas (SIGs) para fins de estudos ambientais.

Nesta linha de organização, interpretação e integração da informação, a classificação de solos, do ponto de vista do planejamento territorial, desempenha importante papel na segmentação de paisagens, identificando áreas de maior potencial para fins de utilização e ocupação e áreas impróprias ou não recomendadas, contribuindo desta forma para a preservação ambiental e uso adequado de ecossistemas, dos quais, o solo, é um componente básico.

O que é identificado

Numa análise de solo são determinados 16 nutrientes considerados essenciais às plantas – três são encontrados na atmosfera e na água (carbono, hidrogênio e oxigênio) e treze são nutrientes minerais fornecidos pelo solo. Todos esses nutrientes são importantes e a disponibilidade menor de um deles é suficiente para limitar a produção das culturas.

Categorias de análise

  1. Análise básica. Argila; pH (medida da acidez do solo); Índice SMP; Fósforo; Potássio; Matéria ; Orgânica; Alumínio; Cálcio; Magnésio.
  2. Análise completa. Argila; pH; Índice SMP; Fósforo; Potássio; Matéria Orgânica; Alumínio; Cálcio;
    Magnésio; Manganês; Enxofre; Cobre; Zinco; Boro; Ferro; Cloro.

Como analisar

1. CRITÉRIOS PARA DIVISÃO DA ÁREA DE AMOSTRAGEM

O tipo de solo é um critério utilizado para a divisão da área ou gleba, mas, dentro de um mesmo tipo de solo – em função de diferentes coberturas vegetais, cor do solo , posição no relevo (baixada, encosta de morro, etc.), histórico da área,- pode haver necessidade de nova subdivisão, pois dentre inúmeras razões, cultivos diferentes exigem manejos diferentes (por exemplo a adubação, mineral ou orgânica, ou o controle de plantas daninhas, pragas e doenças).

Áreas mal drenadas, formigueiros, área com acúmulo de estercos, depósitos de adubos, área de acúmulo de palhada próxima á ação de trilhadeira, etc., que não representem a superfície utilizável devem ficar de fora da amostragem.

Deve-se delimitar a área a ser amostrada longe o suficiente (2 a 5 metros) de rodovias, estradas rurais, cercas ou depósitos em geral. Para solos onde se pratica a olericultura, o princípio é o mesmo, mas, devido às áreas serem menores, o distanciamento deve ser menor, contanto, não menos que 1 metro.

2. NÚMERO DE AMOSTRAS SIMPLES OU SUB-AMOSTRAS

Quinze subamostras da camada arável (0-20 cm de profundidade) de uma área de 1 a 2 hectares (em casos de grande uniformidade do terreno, até 4 ha) são consideradas suficientes.

Coletadas em zigue-zague, em pontos distanciados 15 passos um do outro, as subamostras devem ser acondicionadas num recipiente plástico limpo (Ex. balde de 5-10 litros ou saco plástico limpo bem forte) para posterior composição da amostra propriamente dita.

3. PROFUNDIDADE

A amostra é retirada à profundidade de 20 cm, devendo representar uma porção uniforme de 0 a 20 cm. Em áreas ainda não preparadas mecanicamente através da aração ou gradagem ou com palhada ou vegetação fechada, deve-se limpar a superfície do solo nos locais escolhidos para retirar as sub-amostras, removendo-se folhas, ramos ou galhos com cautela suficiente para não remover muito solo.

Amostragem nesta profundidade vem sendo normalmente adotada em sistemas de cultivo convencional, onde o preparo do solo, para a semeadura de milho, soja, trigo ou feijão, consiste numa aração seguida de duas gradagens.

Objetivando averiguar o ambiente radicular no subsolo, recomenda-se ainda que se faça a amostragem nas profundidades de 20-40 e 40-60 cm. Há evidências de que nestas profundidades a presença de alta quantidade de alumínio associada à deficiência de cálcio, possam atuar como uma barreira química, impedindo o crescimento radicular em profundidade.

. Cultura x variação de profundidade da amostra
  • Pastagens sob manejo extensivo, onde raramente se faz adubações ou renovações, também se recomenda a amostragem na profundidade de 0-20 cm;
  • Sistemas de plantio direto. Executar uma amostragem mais estratificada: 0-10, 10-20, 20-40 e 40-60 cm.;
  • Pastagens sob manejo intensivo também deve-se adotar o mesmo procedimento do plantio direto;
  • Culturas perenes (Ex. café e frutíferas) já instaladas, amostrar de 0-10, 10-20, 20-40 e 40-60 cm na projeção da copa, que é o local da adubação e outra entre as linhas de plantio ou no centro das ruas;
  • Na instalação das culturas, a amostragem deve ser feita na profundidade de 0-20, 20-40 e 40-60 cm;
  • Lavouras de cana de açucar deve ser feita nas profundidades de 0-25 e 25-50 cm. A adubação freqüente de vinhaça neste sistema torna necessária uma amostragem também a 0-10 cm;
  • Em solos de várzea, aqueles encontrados nas planícies dos rios, onde se desenvolveram pela deposição de sedimentos, a profundidade da amostra deve ser variável com o tipo de solo e de acordo com a sua diferenciação vertical;
  • Solos tipo gley pouco húmico, amostragens de 0-20 cm e 20-40 cm;
  • Solos orgânicos, maiores profundidades devem ser exploradas, sendo importante determinar o substrato mineral, o que pode ocorrer a partir dos 80 cm, exigindo, assim, amostragens a 80-100 cm, principalmente no início da exploração da várzea;
  • Enfim, em solos onde há reflorestamento, recomenda-se a amostragem a 0-20 e 20-40 cm.

4. Composição da amostra composta

A composição ideal da amostra se dá pelo quarteamento do material, ou seja, mistura-se bem as sub-amostras contidas no recipiente e despeja-se numa folha de plástico de aprox. 70-100 cm de lado para, em seguida, espalhar o material e dividi-lo em 8 áreas. Descartam-se duas porções de solo de cada lado, localizadas frente a frente, mas não avizinhadas.

O material restante deve ser novamente misturado repetindo-se o mesmo procedimento anteriormente descrito até que se obtenha a quantidade de amostra desejada.Para análise de nutrientes, uma quantidade 300-500 g de solo é o suficiente. Caso o solo apresente grande quantidade de pedras ou cascalhos há a necessidade de 1-2 Kg de material.

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Devido à variabilidade existente na densidade dos solos de várzea, principalmente nos orgânicos e Gley Húmico, é importante garantir o envio de amostra de 500 gramas de solo, mesmo que os volumes encaminhados para a análise sejam diferentes.

No local, a amostra, uma vez composta, deve ser seca ao ar e à sombra sobre uma folha de plástico limpa. Em seguida, a amostra composta é transferida para um saco plástico limpo.

5. Período para coleta de amostras

A época de amostragem ideal está entre a colheita e a adubação subseqüente.

A última adubação, entretanto, não deve estar muito próxima da amostragem, onde a adubação orgânica deve ter sido executada há 8 semanas e a mineral há 4-6 semanas.

Após chuva copiosa deve-se esperar 2 a 4 dias para atingir uma consistência adequada para a amostragem, pois, do contrário, a mistura para a obtenção da amostra composta se torna impraticável.

6. Frequência de amostragem

A amostragem de solos pode ser realizada em intervalos de um a quatro anos. No entanto, o intervalo das amostragens pode ser diminuído se for observado algum comportamento diferencial no desenvolvimento da cultura, determinada gleba receber maior aplicação de adubo ou houver emprego de novo critério de adubação ou correção do solo indicados pelos órgãos de pesquisa ou assistência técnica

  • Áreas irrigadas. Recomenda-se amostrar o solo anualmente;
  • Pastagens. A amostragem deve ser anual em áreas cultivadas com espécies exigentes (Ex. capim colonião, grama estrela, napier) sob pastoreio, capineiras (Ex. napier, cana-de açúcar e guatemala) ou alfafa;
  • Forrageiras. Em áreas com forrageiras menos exigentes, como braquiárias, andropogon e capim-gordura, a amostragem pode ser feita com intervalos de 2-3 anos.

7. Acondicionamento e identificação da amostra

O acondicionamento de amostras deve ser em sacos plásticos limpos para 1,0 ou 2,0 Kg, dependendo da quantidade de amostra composta. Na falta de etiqueta, o material do saco deve possibilitar identificação como número, origem da amostra e cobertura vegetal.

A amostra pode ser identificada da seguinte maneira:

  • Nome do solicitante;
  • Data e período da amostragem;
  • Local da amostragem: (Estado, Município, nome da propriedade e, se possível, as coordenadas locais);
  • Número da amostra;
  • Profundidade e nº de subamostras;
  • Tamanho da área amostrada;
  • Tipo de relevo (Encosta de morro, terra plana, alto do morro, várzea ou baixada).

8. Recomendações gerais para aamstragem

  • Independentemente do tamanho da amostra , as amostras oriúndas de um maior número de sub-amostras são melhores que aquelas formadas de poucas sub-amostras;
  • Quanto maior for a quantidade da fração grosseira do solo (cascalhos, pedras e matacões), maior será a quantidade de sub-amostras a coletar da área delimitada e mais laboriosa será a tarefa;
  • Com o intuito de se evitar erros sistemáticos, as sub-amostras devem ser retiradas transversalmente à orientação da linha de plantio, preparo do solo ou da adubação;
  • Na amostragem e na composição da amostra composta, cada cascalho, pedra ou matacão deve ter a mesma chance de estar presente na amostra composta ou nos passos para a sua composição, ou seja, cada tipo de fração grosseira deve ter a possibilidade de constituir a amostra composta, nas mesmas proporções que as encontradas no solo amostrado;
  • Não fumar durante a coleta das amostras, pois cinzas de cigarro de qualquer natureza podem arruinar o resultado de uma análise de solo, principalmente com relação aos teores de potássio.

Equipamentos

Um dos equipamentos mais adequados para a amostragem de solos é o TRADO. Tubo de aço leve, contendo uma fenda lateral ao longo da profundidade a ser amostrada, normalmente 1,50 m e extremidade inferior cortante, o trado possui demarcações a cada 5 cm ao longo da fenda e, na extremidade superior, apresenta um cabo disposto em “T”.
Além do trado existem vários tipos de equipamentos para a amostragem do solo:

  • Trado holandês, que tem bom desempenho em qualquer tipo de solo, mas exige grande esforço físico;
  • Trado de rosca, mais adequado para solos arenosos e úmidos;
  • Calador, ideal para amostragem em terra fofa e ligeiramente úmida;
  • Marreta e trado tubular , que são instrumentos normalmente utilizados para solos secos e compactados;
  • Pá de corte ou pá reta, equipamento mais disponível e simples para o agricultor, e que deve ser usado isoladamente em terra úmida e fofa;
  • Enxadão em solo seco e compactado;
  • Chibanca, utilizada em solos extremamente compactados e que é semelhante a um pequeno alvião ou picareta.

A atenção aos equipamentos utilizados deve ser grande, já que observa-se com freqüência o uso de materiais potencialmente contaminantes e relativamente pesados para a tarefa (Ex. tubo de aço galvanizado de uma polegada).

Nesse caso, ocorre que apesar de haver exigência de coletar 15-20 subamostras na área delimitada, o profissional, em função da sobrecarga ocasionada pelo equipamento inadequado, apresenta sinais de fadiga e passa a considerar a coleta de 7-10 subamostras como “bastante adequada” para a análise.

Nesse sentido, é necessário ressaltar a importância em coletar sempre o mesmo volume para cada subamostra.

Maiores informações sobre equipamentos para a montagem de laboratório de análise do solo, deve-se entrar em contato com o IAC-Instituto Agrônomico de Campinas / Centro Tecnológico de Análise dos Solos.

Apoio tecnológico

O Programa de Controle de Qualidade com Sistema IAC (Instituto Agronômico de Campinas)de Análise de Solo, iniciado em 1986, hoje reúne 70 laboratórios de solo que utilizam esse sistema e a coordenação do Programa, que é feita pelo Centro de Solos e Recursos Agroambientais do Instituto Agronômico.

A) Laboratórios de análises de solo

Os métodos adotados pelos laboratórios foram desenvolvidos pelo IAC após vários anos de pesquisa em solos brasileiros e têm como uma das características marcantes a extração de fósforo do solo pela resina trocadora de íons. A extração de micronutrientes é feita por DTPA (Cu, Fe, Mn e Zn) ou Água quente (B).

. O que fazem

Todos os laboratórios do Programa realizam análises químicas de solo para fins de fertilidade, sendo que alguns também fazem outras determinações, tais como análises físicas (textura), e análises de fertilizantes e materiais vegetais. Todos os laboratórios que fazem parte deste programa fazem as análises normais de rotina – macronutrientes (matéria orgânica, pH, acidez potencial, fósforo resina, potássio, cálcio, magnésio, soma de bases, capacidade de troca de cátions e saturação por bases). Alguns analisam também os micronutrientes (boro, cobre, ferro, manganês e zinco). Os tipos de análise realizados estão anotados abaixo dos endereços de cada laboratório.

. Objetivos

Os objetivos são promover o controle de qualidade de análise de solo e a uniformização dos procedimentos analíticos, garantindo assim a confiabilidade dos resultados oferecidos aos agricultores.

. Qualidade

Os laboratórios que fazem parte do Programa estampam em seus resultados o Selo de Controle de Qualidade, contendo o ano de validade. Há selos distintos para macronutrientes e micronutrientes.

. Preço

O preço das análises não é uniforme.

. Prazo

Os prazos de entrega dos resultados variam de laboratório para laboratório e também conforme a época do ano. Geralmente há maior demora entre os meses de julho e setembro, por isso, os agricultores devem planejar as amostragens do solo para evitar esse período.

. Tratamento de resíduos

Ao rotular resíduos de laboratório é importante levar em conta que as classificações gerais ou específicas devem ser usadas como diretrizes básicas e que sempre deve-se fazer um diagnóstico local pormenorizado de itens, características toxicológicas, natureza das exposições a esses resíduos, volumes envolvidos, etc.
A seguir estão descritos alguns sistemas de classificação que são baseados na incompatibilidade química e riscos de exposição por inalação e dérmica principalmente:

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– Regras gerais. Grandes volumes – colete os resíduos sólidos, luvas contaminadas, vidros, papéis, etc, em caixas de papelão com dois sacos de plástico; Os líquidos devem conter a descrição da natureza de solutos e solventes e concentrações. Também descrever a quantidade de água presente. Procure ser o mais exato possível nas descrições.

– Eliminação de resíduos de laboratório. Os produtos químicos de laboratório são geralmente resíduos de “caráter especial”. A eliminação de tais resíduos deve ser cuidadosa observando-se as leis físicas válidas em seu correspondente estado (ou forma). Recomenda-se sempre o contato com órgão responsável ou com o responsável no programa de higiene química da instituição.

– Reconhecimento de resíduos de laboratórios. Para que tais resíduos de laboratório possam ser eliminados de forma adequada é necessário ter à disposição recipientes de tipo e tamanho adequados. Os recipientes coletores devem ter alta vedação, serem confeccionados de material estável e em alguns casos serem combustíveis.

Deve-se colocar em local ventilado principalmente quando contiverem solventes. Nos recipientes C, E e I os resíduos são colocados em embalagens separadas devendo ser de plástico resistente ao rompimento. Para se proteger de danos no transporte é necessário se utilizar material de amortecimento (ex. vermiculita). Os líquidos derramados podem ser absorvidos facilmente com Chemizorb granulado ou em pó ou equivalente. Na falta deste pode-se usar uma mistura de areia, resíduos de cerâmica porosa e bicarbonato de cálcio.

Os recipientes coletores devem ser caracterizados claramente de acordo com o seu conteúdo, o que também implica em se colocar símbolos de periculosidade.

Conhecendo um pouco do produto: o solo

Reconhecida a importância da biodiversidade do solo, podemos entendê-lo como um complexo de seres vivos e materiais minerais e orgânicos cujas interações resultam em suas propriedades específicas (estrutura, fertilidade, matéria orgânica, capacidade de troca iônica, etc.). Os organismos do solo não são apenas seus habitantes, mas também seus componentes.

A biodiversidade e a atividade biológica estão estreitamente e diretamente relacionadas a funções e características essenciais para a manutenção da capacidade produtiva dos solos. Algumas destas são:

Fatores que caracterizam o solo fértil

. GÊNESE DOS SOLOS (pedogênese).

Sem os organismos, os solos não seriam formados. A intemperização físico-química das rochas matrizes por si só resultaria em terrenos sem nenhuma fertilidade, visto que há necessidade de nitrogênio e esqueletos de carbono para que a vida se estabeleça. As algas são tidas como colonizadores primários do solo, pela sua capacidade de fixar carbono e nitrogênio da atmosfera através dos processos de fotossíntese e fixação biológica de nitrogênio, respectivamente. A partir daí, fungos e bactérias terão recursos para se desenvolver e liberar nutrientes dos minerais do solo, como o fósforo, cálcio e ferro. O solo formado, havendo a disponibilidade de água, permitirá o crescimento de plantas, que ao serem decompostas gerarão matéria orgânica que reterá nutrientes, liberando-os lentamente para os próximos colonizadores. Esta maneira simplificada de apreender o processo de pedogênese, do ponto de vista biológico, ilustra a importância da biodiversidade para a formação dos solos.

. COMPOSIÇÃO

O grau de porosidade e agregação de solos é determinado fortemente pela diversidade de sua macrofauna. A atividade de raízes, formigas, cupins e minhocas geram canais, poros e agregados que terão forte influência no transporte de gases e água no solo. Outros organismos são influenciados por estas atividades, que resultam na criação ou modificação de microhabitats.

. BIOMASSA

Os organismos formam a chamada matéria orgânica viva do solo. Quanto maior a biomassa de um solo, maior o seu potencial de estoque de nutrientes através do acúmulo destes nas células microbianas. Os nutrientes são liberados conforme as células são degradadas devido a morte ou predação por outros organismos.

. CICLAGEM DE NUTRIENTES

A decomposição da matéria orgânica resulta na quebra dos compostos orgânicos e liberação de elementos essenciais que estão presentes nas moléculas dos tecidos vegetais e animais. Bactérias e fungos são responsáveis por cerca de 90% da mineralização do carbono presente nos compostos orgânicos em decomposição. Antes da ação dos microrganismos, a matéria orgânica é atacada por ácaros, minhocas e cupins que trituram os resíduos e dispersam propágulos microbianos, facilitando a ação destes na mineralização do carbono.

Pequenos predadores, como os protozoários e nematóides, regulam a atividade dos microrganismos. O ataque predatório mantém as populações microbianas jovens e com atividade metabólica alta. O nitrogênio é fixado biologicamente por bactérias do solo, que transformam a forma gasosa presente na atmosfera para amônio, íon assimilável pelas plantas.

Nos solos tropicais o fósforo está normalmente em formas químicas indisponíveis para os outros organismos. Algumas bactérias podem solubilizar estes fosfatos, tornando-os disponíveis para as plantas. Já alguns fungos, através de sua hifas e em associação com raízes, aumentam a área de absorção de fósforo e água para as plantas. Praticamente todos o nutrientes necessitam da ação de microrganismos em alguma fase de seus ciclos.

. BIODEGRADAÇÃO DE POLUENTES

Os microrganismos do solo podem prestar serviços de extrema importância, como a degradação de compostos tóxicos à natureza e ao homem. Agrotóxicos, resíduos industriais, solventes e combustíveis, podem ser degradados no solo por espécies capazes de quebrar as ligações químicas destes compostos. Em alguns casos, os compostos resultantes da degradação microbiana são mais tóxicos que a molécula original. Em outras situações, os microrganismos são capazes de degradar totalmente o composto tóxico.

.CONTROLE BIOLÓGICO

O potencial da biodiversidade para o controle biológico de doenças e pragas da agricultura pode ser deduzido a partir do fato que em ecossistemas naturais raras vezes observam-se infestações de pragas ou doenças de plantas. O conceito de pragas e doenças é decorrência da atividade agrícola e só é aplicável em ecossistemas manejados pelo homem. Tais sistemas têm, via de regra, biodiversidade consideravelmente reduzida em relação aos sistemas naturais, donde se conclui que o controle natural dos problemas fitossanitários é feito pela biodiversidade e seu equilíbrio ecológico.

Como a agricultura ameaça a biodiversidade do solo

A atividade agrícola no Brasil quase sempre determina a redução da biodiversidade. Tudo em função da transição de área natural – com muitas espécies de plantas e animais convivendo em equilíbrio ecológico dinâmico – para área agrícola, com reduzido número de espécies convivendo em desequilíbrio.

Muito provavelmente, a perda de espécies vegetais também causa alterações na biodiversidade dos solos, já que suas raízes constituem fonte de energia para microrganismos específicos da rizosfera. A perda de diversidade destes microrganismos pode alterar a estrutura populacional de outros organismos situados ao longo da cadeia trófica, como nematóides, protozoários e microartrópodos. Estes pequenos animais, juntamente com insetos trituradores, também estão envolvidos na decomposição de matéria orgânica, processo-chave na ciclagem dos nutrientes. As alterações na biodiversidade podem ser bastante acentuadas em sistemas de monocultura com uso intenso de pesticidas. Processos vitais do solo, como a decomposição de matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes, podem sofrer impacto elevado, levando o sistema agrícola à maior dependência por fertilizantes.

Há necessidade de compreendermos como a biodiversidade dos solos é afetada pela agricultura, em suas diversas formas, e qual a relação entre os impactos à biodiversidade do solo e a sustentabilidade da agricultura. Uma maneira de realizar estes estudos é através da avaliação da diversidade de microrganismos do solo.

Sistema brasileiro de classificação de solos

A Embrapa Solos lançou, recentemente, o livro Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. O novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos é um referencial taxonômico para uso de pesquisadores, técnicos, professores, estudantes e profissionais envolvidos na pesquisa de solos. Ele é resultado de aperfeiçoamentos contínuos ao longo de várias gerações de estudiosos da Ciência do Solo no Brasil e sintetiza, no estágio atual, a experiência e resultados de pesquisa de campo e laboratórios nas linhas de morfologia, física, química e mineralogia de solos.
A classificação de solos no Brasil iniciou-se em 1947 e baseava-se nos conceitos americanos sintetizados em publicações de 1938 e revisadas em 1949.

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Nestes 50 anos ininterruptos de estudos de solos, várias mudanças ocorreram quanto aos conceitos originais, nomenclatura e definições de classes. Todos esses estudos estão, agora, espelhados na edição atual do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, que – ainda em processo de publicação – inova completamente a estrutura do sistema e atinge o nível desejável de classificação hierárquica, multicategórica, descendente e aberta para inclusão de novas classes à medida que o país vai sendo melhor conhecido.

Produto de uma parceria bem sucedida entre a Embrapa Solos e instituições nacionais de ensino,pesquisa e planejamento -cerca de 25 instituições participaram de sua elaboração – esse novo Sistema, da forma que está estruturado, permite a classificação de todos os solos do território nacional em seis níveis categóricos diferentes (Ordem, Subordem, Grande Grupo, Subgrupo, Família e Série), correspondendo, cada nível, a um grau de generalização ou detalhe definidos.

À Ordem corresponde o nível mais genérico de classificação, distinguindo verdadeiras províncias de solos e à Série correspondendo o nível mais detalhado e preciso de classificação, separando unidades bastante homogêneas, precisamente definidas e abrangendo pequenas áreas do terreno. Entre a Ordem e a Série, variam os graus de abstração, nesta seqüência, diminuindo o grau de generalização e aumentando o grau de especificação e detalhe.

O novo sistema é, enfim, estruturado com base em características de gênese do solo e propriedades
pedogenéticas que imprimem marcas distintas em cada tipo de solo conhecido.

Principais limitações dos solos do Brasil

O Brasil é um país de dimensões continentais, eminentemente tropical e que apresenta grande variedade de solos, e portanto, com diferentes potenciais de produção agrícola. Citaremos as principais:

. Solos com problemas de acidez (84%)

Solos que possuem elevada concentração de alumínio e, em menor escala, ferro e manganês. Estes elementos prejudicam o crescimento radicular e diminuem a disponibilidade de alguns nutrientes. Esta limitação (acidez) pode ser corrigida com a aplicação de corretivos específicos;

. Solos com problemas de salinidade (2%)

Solos que apresentam elevada concentração de sais, principalmente sódio. Existe dificuldade para o crescimento radicular, absorção de água devido ao potencial osmótico (seca fisiológica) e desbalanceamento geral entre os nutrientes. A correção destas terras é viável com a utilização de carreadores químicos (p.e. gesso) e elevada quantidade de água para a retirada do sódio do sistema ;

. Solos rasos (7%)

Solos que apresentam pequeno volume para o desenvolvimento radicular. Com isto, as plantas absorvem poucos nutrientes, ficam sujeitas facilmente à deficiência hídrica e ao tombamento. Tipo de limitação onde não existe correção;

. Solos com ausência de oxigênio em alguma época do ano (16%)

Solos que apresentam variação significativa do lençol freático, atingindo a zona radicular e, dependendo do solo, saturação (encharcamento) permanente ou por um período do ano. Esta limitação pode ser corrigida ou minorada através de práticas de engenharia, por exemplo drenagem;

. Solos sem limitação para auso agrícola (9%)

Os solos que não apresentam limitações relevantes para a produção agrícola (9%), e portanto maximizam o retorno do capital investido, apresentam boa reserva de nutrientes, boa drenagem, boas propriedades físicas (estrutura, textura, entre outras) e teor de água que atenda o ciclo da planta.

Latossolos do Brasil

Os Latossolos são solos que possuem excelentes condições físicas e que apesar de apresentarem graves limitações quanto a fertilidade natural, tornam-se excepcionalmente produtivos quando utilizados sob sistemas de manejo tecnificados, que incluam a correção da acidez, o aumento da fertilidade e o controle da erosão. Os modernos sistemas de manejo agroecológicos, compreendendo a manutenção e o aumento das fontes de matéria orgânica, o manejo dos componentes biológicos, o aumento da capacidade de retenção de umidade, o cultivo mínimo e o plantio direto, são bastante promissores para implantação de uma agricultura ideal, sustentável, nos Latossolos do Brasil.
Esse tipo de solo ocorre, em geral , em áreas de topografia favorável à mecanização, em amplas superfícies planas, suave onduladas a onduladas e devido a estas condições sustentam grande parte da produção de grãos, pastagens, cana-de-açucar e quase a totalidade da soja produzida no país.

Extensas áreas de solos profundos, muito porosos, macios, friáveis e muito permeáveis, preenchem o Mapa de Solos do Brasil. São os Latossolos, que predominam nas paisagens brasileiras típicas dos Cerrados, dos planaltos do Sudeste, das chapadas do Centro – Oeste e dos derrames basálticos da Bacia do Paraná ao Sul e ao Sudoeste do Brasil.

Um pouco menos porosos e bem mais coesos, mais Latossolos estendem-se a outras paisagens dos terraços da Amazônia Oriental, das chapadas sedimentares do Nordeste e dos Tabuleiros Costeiros. As áreas de todos os Latossolos do Brasil, somadas, totalizam uma superfície de cerca de 331.637.200ha, correspondendo, aproximadamente a 39% do território brasileiro.

De acordo com a variabilidade espacial de fatores climáticos, geomorfológicos e de material de origem,os Latossolos, são classificados em 10 unidades de grande expressão geográfica, mostradas no Mapa de Solos do Brasil, na escala 1:5.000.000, EMBRAPA-SNLCS (1981):

. Latossolo Amarelo álico e distrófico (Haplic Ferralsol). 97.330.000ha;
. Latossolo Bruno álico e distrófico (Xanthic Ferralsol). 1.414.400ha;
. Latossolo Húmico álico (Humic Ferralsol). 975.100ha;
. Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico (Geric Ferralsol) 155.810.600ha;
. Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico e eutrófico (Haplic Ferralsol) 3.480.900ha;
. Latossolo Roxo distrófico (Rhodic Ferralsol)9.586.000ha;
. Latossolo Roxo distrófico e eutrófico (Rhodic Eutric Ferralsol)10.542.200ha;
. Latossolo Vermelho-Escuro distrófico (Geric Ferralsol) 49.378.700ha;
. Latossolo Vermelho-Escuro distrófico e eutrófico (Rhodic Ferralsol) 1.544.500ha;
. Latossolo Vermelho-Escuro eutrófico (Rhodic Eutric Ferralsol)1.574.800ha.

Endereços na Internet:

http://www.embrapa.br

Referências:
SebraeIBGEDIEESEIPTInstituto DatafolhaInstituto IBOPEWikipédia, Jornal EstadãoJornal Folha de S.PauloJornal O Globo, Revista Exame, Revista Veja, MAPA, MCTI, MDA, MDIC, MMA, MME, MTE.

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