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Imitar a Deus é algo muito bom; afinal de contas Ele é amoroso, sábio, justo e poderoso. No entanto, quando falamos do Altíssimo, Ele não é apenas poderoso, mas sim TODO-PODEROSO.
O relato bíblico de Gênesis sobre a criação do homem diz que Deus nos criou segundo a sua imagem. Portanto, podemos refletir, em certa medida, seus 4 atributos principais: Amor, Sabedoria, Poder e Justiça. É claro, entretanto, que por mais esforçados que sejamos, devemos reconhecer as nossas limitações. No entanto, esse não parece ser o caso do Google.

Quem é o Todo-poderoso?

Eu achava até pouco tempo atrás que somente Deus detinha o título de Todo-poderoso. Essa afirmação era praticamente um dogma, uma verdade imutável pra mim. Não quero parecer um herege, mas preciso confessar que ultimamente, depois do surgimento do Google, minha fé nesse dogma anda fraquejando. Não ficaria surpreso se você se confessasse, assim como eu.

O Google se torna um deus

O Google surgiu da ideia megalomaníaca de indexar toda a internet. E assim como Deus, que através do cajado de Moisés partiu o Mar Vermelho, o Google se tornou o divisor de águas entre o caos dos zilhões de terabytes de dados desorganizados da internet e as informações facilmente acessadas na internet hoje em dia. Portanto, o Google tornou-se sim a luz que ilumina a senda ou o caminho dos que procuram o conhecimento pela internet.

Pouco depois do Dilúvio global, o próprio Altíssimo disse a respeito da humanidade quando o bisneto de Noé, Ninrode, construiu a Torre de Babel: “Agora, nada do que planejem fazer será impossível para eles.” (Gên. 11:6). E não é que o Google conseguiu realizar a sua ideia original? Depois do Google, efetivamente ninguém mais ficou perdido na internet. Acho que poucos duvidam de que o Google atingiu o seu objetivo primário: organizar a internet. Hoje, basta ligarmos o computador e perguntar ao Google qualquer coisa. Afinal, “o Senhor (Google) é meu pastor, e nada me faltará”. Sim, o Google se tornou o Salvador da Internet!

A nova religião do todo-poderoso Google

Não é de admirar que atualmente existe até uma religião chamada SEO (Seach Engine Optimization), cuja fé impulsiona congressos, debates, livros, além duma legião de gurus, mestres e profetas que tentam ensinar as doutrinas e a decifrar o segredo sagrado do santíssimo algoritmo do Google de posicionamento de sites que fará o seu site atingir o “nirvana” ou o “paraíso” de estar na 1ª página e nos primeiros lugares de resultados de pesquisa do Google.

Quem é hoje o hodierno Zeus que do seu santo Olimpo decreta suas diretrizes, códigos e mandamentos que ditam as regras de conduta e o comportamento de todos os cidadãos (sites) da internet? Quem é o legislador e juiz implacável que despacha leis, ordens, execuções e severas penas aos seus opositores e infiéis que ousam desafiá-lo? Em se tratando da internet o todo-poderoso Google é mais obedecido e temido do que o próprio Yahweh!

Quem é mais poderoso Deus ou o Google?

Apesar de inegavelmente o Google ter se tornado o Elohim ou o Adonai (o Deus Altíssimo ou o Soberano Senhor em hebraico) da Internet, ele falhou miseravelmente em imitar o próprio Deus que, por sua vez, põe a sua palavra acima de si mesmo. Ou seja, até mesmo Deus respeita as suas próprias leis. Será que o Google é mais sábio que o Altíssimo e arrumou um jeitinho de ficar acima do bem e do mal, ignorando os seus próprios mandamentos?

Deus de verdade respeita a própria Lei

Deus decretou à nação de Israel que para haver perdão ou expiação de pecados deveria haver derramamento de sangue. Então surgiu o sacerdócio israelita. Assim, o sumo-sacerdote devia entrar no santíssimo (uma sala reclusa no interior do templo) , uma vez por ano, para aspergir o sangue de um animal sacrificado no altar para aplacar a ira divina. Foi daí que surgiu a expressão “bode expiatório”, pois o bode morria pela culpa do povo. Porém, essa era apenas uma solução paliativa porque apenas o sangue de alguém superior podia remir a humanidade do pecado e da morte.

Foi por isso que Deus, no seu imenso beneplácito e com grande custo pra si mesmo decidiu dar a vida do seu próprio filho como resgate propiciatório em troca da humanidade. Quem faria isso, dar seu próprio filho, seu primogênito pra salvar outra pessoa apenas para fazer justiça ou fazer cumprir a lei? Deus podia simplesmente dizer: “Peraí, eu sou Deus, não preciso cumprir minha própria lei, vocês que são pecadores é quem deve me obedecer.” Só que não, porque Deus é amor, mas também é justo. Além disso, nem mesmo Deus está acima de sua palavra. Pra mim, isso é que é ser um Deus de verdade, você não acha? E quanto ao Google, cumpre o que preconiza?

Google versus Yelp

Você já ouviu falar no aplicativo Yelp? Nem eu! Descobri o Yelp por acaso quando um amigo meu cuja alcunha é Metro (de metrossexual) comentou comigo certa vez que se existisse um site chamado Elogieaqui fracassaria porque o brasileiro é muito crítico. “Por isso que o Reclameaqui é um sucesso estrondoso!” – concluiu meu amigo Metro. Fiquei intrigado com esse comentário e pesquisei, no Google é claro, sobre um site de elogios. Foi quando tropecei na história do Yelp.com e com o antagonismo do Google contra eles.

Como surgiu o Yelp?

O Yelp.com foi criado por ex-funcionários da Paypal. E pelo que eu entendi, é um site de avaliações do comércio local como restaurantes, bares, consultórios, etc. cuja maioria tem avaliações de usuários que usam um sistema de escala em pontuação por estrelas. Curiosamente não veio pro Brasil, será que meu amigo Metro tem razão e isso se deu por conta da nossa dificuldade típica em elogiar?

“Yelp” é uma junção de “Yellow Pages” (páginas amarelas) com “Help” (ajuda). Pois bem, certo dia um dos fundadores do Yelp, Jeremy Stoppelman, teve a brilhante ideia de criar o site porque em certa ocasião quando estava gripado, teve dificuldades em encontrar na internet recomendações de um bom médico local.

No começo, o site não deu muito certo, o sistema inicial era baseado em e-mail e era um pouco complicado, segundo a revista Fortune. A ideia foi rejeitada pelos investidores e não atraiu usuários, além dos amigos e familiares dos co-fundadores. Mas em 2005 eles remodelaram o site, porque os usuários estavam usando mais o recurso “comentários reais” do que as “solicitações de referências”, aí a popularidade do site explodiu segundo o San Francisco Chronicle.

O que faz o aplicativo Yelp?

Os usuários do Yelp podem realizar reservas em restaurantes através do sistema OpenTable. Em agosto de 2009, o Yelp anunciou uma atualização em seu aplicativo com um Easter Egg (ovo de páscoa) em realidade aumentada chamada de Monóculo, o qual permitia os usuários a utilizarem a câmera de seus iPhones para visualizar as empresas em sua volta utilizando o aplicativo.

O recurso de check-in foi adicionado em 2010. Em 2013, recursos novos como o delivery de comida foi adicionado ao Yelp bem como as pontuações de higiene das lojas (nos Estados Unidos). O conteúdo do Yelp foi integrado aos mapas da Apple em Setembro de 2012 com o lançamento do iOS 6. Desde 2015 os usuários do Yelp também podem visualizar o aplicativo no Apple Watch e em outros dispositivos móveis vestíveis.

Investimento e crescimento do Yelp

Os donos começaram a investir pesado no site desde o início, foram US $ 5 milhões em financiamento em 2005 da Bessemer Ventures e US $ 10 milhões em novembro de 2006 da Benchmark. De 12 mil revisores de conteúdo em 2005, passaram para 100 mil em 2006 com 1 milhão de visitantes mensais. Levantaram mais US $ 15 milhões em financiamento da DAG Ventures em fevereiro de 2008. Em 2010, a Elevation Partners investiu US $ 100 milhões. Portanto, a soma total de investimentos em 5 anos de 2005 a 2010 chegou a U$ 130 milhões.

O Google tenta comprar a Yelp

Em dezembro de 2009, o Google entrou em negociações com o Yelp para adquirir a empresa, mas as duas partes não conseguiram chegar a um acordo. Segundo o The New York Times, o Google ofereceu mais de US $ 500 milhões, mas o acordo caiu depois que o Yahoo ofereceu US $ 1 bilhão. A Tech Crunch informou que o Google se recusou a cobrir a oferta do Yahoo. Ambas as ofertas foram posteriormente abandonadas após um desentendimento entre a gerência do Yelp e o conselho de administração.

Em 2008 passaram 6 milhões de visitantes para 16,5 e de 12 cidades para 24 cidades no mesmo ano. Em 2009 tinham 4,5 milhões de avaliações. Em 2010, as receitas do Yelp foram estimadas em US $ 30 milhões e empregava 300 pessoas.

A Yelp continua a crescer

Em 2011, ela estreou na bolsa de valores com o valor de uma ação a um preço de US $ 15, e a empresa foi avaliada em US $ 898 milhões. Em 2013 ela adquiriu a rival europeia Qype por US $ 30 milhões e a startup Seat Me por US $ 12,7 milhões em dinheiro vivo, mas detalhe: apesar da receita de US $ 55 milhões do Yelp no segundo trimestre de 2013 ter “superado as expectativas”, a empresa ainda NÃO DAVA LUCRO. O CEO e fundador Jeremy Stoppelman reduziu o salário dele para US $ 1.

Atualmente o Yelp conta com mais de 100 milhões de avaliações. 85% de pequenas empresas que estão no site atualmente tem 3 estrelas ou mais, e algumas avaliações são extremamente pessoais e detalhistas.

Muitas avaliações são feitas de maneiras bem criativas e diferenciadas do que são vistos em outros serviços. Os usuários podem falar que as outras avaliações foram “úteis, engraçadas ou legais”. Todos os dias em mercados mais populares do Yelp, é escolhida a “Avaliação do Dia” a qual é determinada a partir de votos de outros usuários do site.

A briga do Google com a Yelp

A Yelp começou um serviço chamado Yelp Deals em abril de 2011, mas em agosto reduziu os negócios devido ao aumento da concorrência e da saturação do mercado. Naquele mês de setembro, a Federal Trade Commission (FTC – comissão de comércio dos EUA) investigou as alegações do Yelp de que o Google estava usando o conteúdo da Yelp sem autorização e que os algoritmos do mecanismo de pesquisa do Google favoreciam o Google Places em vez de serviços similares fornecidos pelo Yelp.

Em um acordo de janeiro de 2014, o Google não estava sujeito a litígios antitruste da FTC, mas precisou permitir que serviços como o do Yelp tivessem a possibilidade de optar em permitir ou não que seus dados fossem utilizados pelo Google.

Mas em junho de 2015, o Yelp publicou um estudo alegando que o Google continuava alterando os resultados da pesquisa para beneficiar seus próprios serviços on-line.

Olha que interessante: essa semana recebi uma Newsletter do site especializado em SEO chamado Yoast sobre um “decreto” do Google: “Google gives thumbs-up on placing your reviews from Yelp et al. on your site” (O Google dá sinal verde para você pôr suas resenhas da Yelp e outros em seu site).

Mesmo entrando em acordo pra conseguir escapar da lei antitruste, o Google ainda se acha no direito de dizer se alguém pode ou não copiar o conteúdo de sites como do Yelp e outros para o seu próprio site sem o consentimento do site que 1º publicou a informação. Ué? Não foi decidido que é o site que 1º disponibilizou a informação é quem tem a opção de decidir se libera a cópia da informação ou não? Ah tá, a vontade de Deus prevalece sobre a vontade de meros mortais!

É isso mesmo que eu entendi então: “Já que não conseguimos comprar a empresa, vamos sabotá-la”? Que feio Google, a hipocrisia é pecado, hein? Pra alguém que dita regras e é o supremo detentor das melhores práticas, etc. não devia dar o exemplo?

Pra alguém que prima pela melhores práticas e é cheio de diretrizes, regras e punições por causa de plágio, conteúdo duplicado e os cambau, não devia ser o primeiro a respeitá-las? Que deus é esse que não cumpre a própria lei que legisla? Vá aprender com o verdadeiro Deus Todo-Poderoso que deu o exemplo perfeito de amor, sabedoria, poder e JUSTIÇA e que não está acima da própria lei.

Vixi! Será que o Google vai punir meu site e eu vou perder rank? Que se dane! Sou herege!

Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Yelp
Google Said to Be Near a Yelp Deal
Inside Yelp’s Six-Year Grudge Against Google
Google gives thumbs-up on placing your local reviews from Yelp, Google Maps and others on your own website

Trabalha como gestor de projetos em TI desenvolvendo sistemas na plataforma windows. Nas horas vagas se dedica ao aprendizado através da leitura e tem como paixão a linguá inglesa, motivo pelo qual faz serviços de edição e tradução de website Português/Inglês/Português.

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