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Como cultivar Cogumelos gastando pouco

Cogumelos

Como cultivar cogumelos gastando pouco e sem cometer erros. Aprenda tudo: investimento, localização, equipamentos, fornecedores, mercado, concorrência, riscos, legislação, mão de obra especializada, captação de cliente, financiamento, atendimento e muito mais…

Cultivo de cogumelos

Apresentação

Esculturas delicadas e delirantes, cogumelos são espetáculos de difícil definição do plano arquitetônico a que pertencem. Estima-se que existam 1,5 milhão de espécies identificadas, número que representa apenas 30% dos fungos existentes. A Micologia, ciência que os estuda não dá conta de identificar tanta variedade. Há fungos que nascem e morrem em poucas horas. Uns são deliciosas iguarias, outros são venenos fatais e existem ainda aqueles que funcionam como poderosos alucinógenos, também há aqueles que impulsionam inovações na medicina.

Alimentam-se das substâncias que degradam, devolvendo-as ao solo processadas na forma de humus, que fertiliza o solo, promovendo assim reciclagem e regeneração do ambiente.

Nem vegetal, nem animal, fungos são considerados um caso à parte na natureza; pertencem, digamos assim, ao “reino dos fungos”. Sua composição é 70 a 90% água e fora isso são filamentos cujas membranas contêm quitina (componente da pele humana e de insetos). Os cogumelos são enfim, fungos que se transformaram em frutos.

A matriz do cogumelo desenvolve-se num “composto” proveniente daquela matéria que ajudam a decompor. Uma linha de produção inicia-se com o preparo do “composto”, segue até a colheita chegando ao beneficiamento.

Mercado

Atualmente, as cidades paulistas de Mogi das Cruzes, Suzano e Atibaia constituem um pólo produtor. A estimativa de consumo mensal brasileira é 30 mil quilos do cogumelo “champignons de Paris”.

A variedade “shiitake”, muito utilizada na culinária japonesa, por ter conquistado o paladar do consumidor brasileiro, pode hoje ser encontrada tanto em lojas especializadas quanto em feiras livres (comercializados, em sua grande maioria, frescos).

A tendência é de crescimento da demanda, alimentada pela continuidade no fornecimento-mola mestra do estabelecimento de um hábito de consumo.

Comercialização

Por se tratar de um produto perecível, sua produção deverá estar pré-vendida, ou como opção, ser desidratado ou mantido em conserva. É necessário descobrir o ponto de equilíbrio entre demanda e produção. À identificação e à conquista do nicho de mercado deverá ser dada muita atenção, pois ao apelar para atravessadores poderão estar sendo perdidos até 70% do lucro.

Investimento inicial

É estimado em R$ 900mil, desconsiderando-se a construção do galpão de fermentação e a compra da estufa de pasteurização.

Instalações

De modo geral, as instalações podem ser simples, mas devem oferecer condições indispensáveis como proteção ao sol, chuvas e ventos, além de temperatura e umidade adequadas.

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Um barracão de frutificação; um espaço para o período de incubação (que pode ser outro barracão simples, de bambu, ou um lugar sombreado) e um tanque para choque térmico são, basicamente, as instalações necessárias à produção.

Equipamentos

Garfos e pás para a formação de pilhas, mangueira para umedecimento, termômetro para acompanhar a compostagem, barracões para cultivo, estufa e desidratadora. Exige ainda veículo utilitário e área de 5.000 m².

Produção

O segredo da produção está na escolha das toras de eucalipto: com pouca resina e serradas de acordo com normas técnicas (poderão também ser usadas, além do eucalipto, árvores frutíferas como a mangueira, abacateiro e noz pecã).

O cultivo do “shiitake” em serragem também é rentável, mas exige mais tecnologia. Não é necessária uma grande área, mas são obrigatórios cuidados especiais como: controle da umidade, da temperatura e da qualidade da água.

Etapas

  • Obtenção ou preparação da matriz
  • Preparação do composto e compostagem
  • Compostagem livre
  • Pasteurização
  • Preparo da terra de cobertura
  • Semeadura
  • Incubação
  • Colocação da terra de cobertura
  • Produção e colheita
  • Limpeza.

Definição das estruturas físicas

. Galpão de compostagem: barracão coberto, com ou sem paredes laterais piso de concreto (resistência ao peso), levemente inclinado para haver acúmulo de água, com um canal lateral de coleta de água (que a recolhe em um tanque e a bombeia, fazendo com que retorne ao composto, eliminando o desperdício de nutrientes).

Na produção em pequena escala, pode-se improvisar um barracão de compostagem com uma lona plástica estendida no chão e uma cobertura rústica (base de sapé ou mesmo lona plástica) com dimensões para 12 toneladas de composto inicial, ou seja, 20 m x 6 m e 4 m de altura.

. Câmara de pasteurização:  túnel de pasteurização feito em alvenaria, com paredes e teto isolados termicamente (blocos de cimento celular ou paredes duplas, com uma camada intermediária de ar, isopor ou lã de vidro). Suas dimensões são: 2,5 a 3,0 m de altura. 2 m3 para cada tonelada de composto.

Piso do túnel: duplo (base de alvenaria e, 30 ou 50 cm acima, um tablado (caibros de 5 cm de espessura, com 1 a 2 cm de espaçamento) onde será colocado o composto. O tablado com espaçamento permite a passagem do vapor de água.

Uma casa de cultivo, nas condições ideais, necessita de investimento inicial muito elevado. Por isso, alguns produtores utilizam galpões mais simples. A estrutura mais comum é de barracões de madeira forrados com papel aluminizado que reflete o calor e impede que a elevação excessiva da temperatura interna.

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. Incubadora (opcional). Pode ser o próprio galpão de cultivo. Local fechado, com temperatura e umidade controladas, para colocação dos sacos depois de semeados e antes de receber a terra de cobertura.

. Galpão de cultivo: Deve oferecer condições ambientais controladas, principalmente quanto à temperatura, fator que oferece maior dificuldade de manutenção – entre 16-18º C. Em construções de alvenaria, protege-se paredes e teto com tinta impermeável, para que não deteriorem com o passar do tempo e mantenham seu poder isolante. Em galpões mais rústicos, feitos de madeira e papel aluminizado, esta proteção é reforçada com plástico.

. Sala de limpeza: Onde são tratados os cogumelos após a colheita – momento em que precisam ser imediatamente cuidados. Sua localização deve ser ao mesmo tempo próxima da saída da propriedade e dos galpões de cultivo, conservando ainda a facilidade para acesso. No local deverão estar disponíveis todos os meios e utensílios para limpeza dos cogumelos.

. Sala de processamento: Onde é feito o cozimento, o envase e a rotulagem dos cogumelos. A tendência é, cada vez mais, terceirizar esta etapa.

Dicas para manejo

. Toras: O eucalipto deve ser cortado em toras de 0,8m a 1m, com diâmetro entre 10cm e 15cm, para facilitar o manejo. Os furos, com profundidade de 2cm, são feitos em zigue-zague nas toras.

Uma tora de 15cm deverá ter entre 45 e 60 furos. Após a inoculação, os furos são cobertos com parafina e breu (para evitar a contaminação das sementes ou o ataque de formigas) derretidos a 120º C e empilhados em camadas de cinco, até uma altura de 1,5 m e mantidas em temperatura de 25ºC umidade relativa do ar entre 80% e 100% (ambas alcançadas através de irrigação com água sem cloro).

É fundamental que as pilhas não estejam em contato direto com o solo, para evitar a contaminação. Três meses depois, as pilhas são refeitas e as toras, invertidas, possibilitando desenvolvimento uniforme dos cogumelos.

. Sementes: O “shiitake” – Sua inoculação deve ocorrer de três a sete dias depois do corte, período em que ocorrerá o escorrimento da seiva, com as toras inclinadas.

Após seis meses, está na hora do choque térmico, com a imersão (variando de 8 a 24 horas) das toras em tanques de água a uma temperatura 5º C inferior à do ambiente.

. Incubação: Depois do choque, as toras são levadas ao barracão de frutificação, onde serão mantidas inclinadas, amparadas em cavaletes, sem irrigação.

. Colheita: Começa três dias após o choque térmico, estendendo-se por até dez dias, quando as toras recebem novo choque. Uma tora rende entre seis e oito colheitas.

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Para cultivar comercialmente cogumelo, o produtor não deve se preocupar em produzir suas próprias matrizes, que é uma área específica e especializada, porque existem laboratórios especializados no fornecimento de matrizes de boa qualidade. Outra opção é adquirir o composto já semeado, junto a outro produtor, restando apenas o trabalho de cultivar os cogumelos. Neste sistema, o produtor pode também vender total ou parcialmente sua produção in natura, terceirizando as etapas comerciais e industriais do processo.

Ameaças

. Fungos parasitas. Os mais freqüentes são os mais prejudiciais, o “Verticillium fungícola”, produz uma doença conhecida como “bolha seca”. E a “Mycogone perniciosa” – “a bolha úmida” – ou “mela”. A contaminação provém do solo de cobertura, de correntes de ar, ácaros, insetos.

. Bactérias. Ocorrem normalmente em todas as fases do cultivo de cogumelos comestíveis e nem sempre ocasionam problemas. Para evitar bactérias patogênicas, basta seguir corretamente o processo de pasteurização e a assepsia dos locais de cultivo. A limpeza das camas, paredes e chão deve ser efetuada com pulverização de água clorada ou de água com formol.

. Ácaros. Atraídos pelo cheiro do composto, transportados por insetos ou provenientes do composto mal pasteurizado, reproduzem-se em alta velocidade e são resistentes às mudanças de temperatura. A única forma de combatê-los são os inseticidas, ferramenta que tem seus riscos. Para evitar os ácaros, dentre outros procedimentos, o solo deve ser tratado com vapor d’água a 90º C, por três horas seguidas.

. Insetos. Os que causam maiores estragos são pequenas moscas – moscas do esterco -, pois perfuram o cogumelo e suas larvas se deslocam através de galerias,causando danos irreversíveis. A prevenção consiste em evitar frestas nos barracões de cultivo e uma vez verificada a presença de algum inseto deve-se tomar medidas imediatas de controle.

Referências:
Sebrae – Serviços de Apoio as Micros e Pequenas Empresas, IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas – São Paulo, Datafolha – Instituto de Pesquisas Grupo Folha, IBOPE – Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, Wikipédia, Jornal Estadão, Jornal Folha de S.Paulo, Jornal O Globo, Revista Exame, Revista Veja, MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MCTI – Minnistério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário,

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11 Comentários

11 Comments

  1. amarilio

    25 de abril de 2016 a 12:43

    gostaria de informacões de onde comprar blocos cultivados para producão de shiitake e o valo. obrigado.

  2. Hélcio Sordo

    27 de junho de 2016 a 18:15

    Como fazer a climatização da estufa, entre 16-18º C..

    Onde comprar esses tipos de equipamento?

    Hélcio

  3. MARCUS VINICIUS DE PAIVA SIQUEIRA

    25 de janeiro de 2017 a 20:46

    Boa Tarde!!! Ano passado comecei a produzir cogumelos do Sol e estou com estoque de 55 kilos aqui. Vocês conseguem me indicar um comprador para essa produção. Meu cunhado e sócio está enfermo e tive que dar uma parada e estou tendo dificuldades de vender. Abraços e se puder retornar…. Agradeço.
    31.99267.2009 – Marcus Siqueira

  4. Ramon

    13 de fevereiro de 2017 a 13:04

    Ola, é preciso autorização de algum orgão para cultivo de cogumelos

  5. Tulio Henrique

    27 de janeiro de 2019 a 16:05

    Na foto acima do cultivo de shimeji, o papel que vocês usam para tampar as bolsas, é jornal, papel de revista?

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